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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Será que Picasso gostava assim tanto do seu electricista? Hum..
O estranho caso do electricista francês que tinha 271 obras desconhecidas de Picasso
Por Cláudia Carvalho
O advogado do legado Picasso diz que é um caso chocante. Quase três centenas de obras do pintor que revolucionou a arte do século XX foram inesperadamente reveladas em França
________________________________________
Descobrir centenas de obras inéditas de um dos pintores mais importantes do século XX é o sonho de qualquer um. Mas o problema desta história é exactamente ser demasiado boa para ser verdadeira. Um electricista francês de 71 anos revelou que tem uma colecção de 271 obras desconhecidas do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973).
A colecção foi examinada por especialistas e as obras, que datam do início do século XX, entre 1900 e 1932, têm um valor estimado de 60 milhões de euros. Entre as descobertas figuram nove colagens cubistas no valor de 40 milhões de euros e uma aguarela do período azul.
"Isto foi uma surpresa para Claude Picasso e toda a gente", disse ao PÚBLICO Jean-Jacques Neuer, advogado da Administração Picasso.
Segundo o jornal francês Libération, que avançou ontem com a extraordinária notícia, as obras só foram agora descobertas porque o electricista, Pierre Le Guennec, entrou em contacto com Claude Picasso, filho do artista e responsável pelo legado do pintor, para obter os certificados de autenticidade.
Não é normal
Em Janeiro, o electricista terá enviado, juntamente com algumas fotografias das obras, uma carta ao herdeiro de Picasso a contar que tinha em sua posse vários trabalhos do pai e que gostaria de vê-los autenticados.
"É a primeira vez que isto acontece, estamos a falar de duas centenas de obras de Picasso que não estão catalogadas", disse Jean-Jacques Neuer, explicando que o caso foi entregue à polícia em Setembro, depois de Claude Picasso ter decidido contactar Pierre Le Guennec e a sua mulher para perceber a origem das obras.
"Não é normal estas obras não estarem catalogadas, não é normal uma pessoa ter tantos trabalhos de Picasso em sua posse e ninguém saber e por isso é preciso investigar", explicou o advogado que defende os interesses dos herdeiros do pintor.
Pierre Le Guennec, actualmente reformado, alega ter sido electricista de Picasso nos últimos três anos de vida do pintor, que morreu aos 91 anos. Le Guennec disse ao Libération que instalou sistemas de alarme nas diferentes casas de Picasso, incluindo na sua casa de Cannes, onde muitos trabalhos estariam armazenados. Como forma de agradecimento pelo trabalho, Picasso e a sua mulher terão dado as várias obras de arte de presente ao electricista em diferentes ocasiões.
Os herdeiros do pintor não acreditam na história do electricista e decidiram apresentar queixa por roubo contra o antigo operário. Para Claude Picasso, o seu pai nunca daria a ninguém uma quantidade tão grande de obras. "Nunca se viu, não faz sentido, é parte da sua vida", disse ao Libération o herdeiro, acrescentando que a justiça deve resolver este mistério. "É verdade que Picasso sempre foi bastante generoso. Mas ele datava e assinava sempre as suas doações, porque sabia que algumas pessoas acabariam por vendê-las", concluiu.
Para Pedro Lapa, antigo director do Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, toda esta história é muito estranha e deve mesmo ser investigada. "São obras que têm um valor histórico muito grande e por isso seria pouco provável que Picasso as cedesse a um electricista", explicou Pedro Lapa. "Esses trabalhos encontrados são de um período muito importante de Picasso, têm um valor enorme e por isso sempre foram muito cobiçados por museus e o próprio Picasso sabia disso, não as ia oferecer assim", acrescentou o antigo director do Museu do Chiado, que organizou uma exposição de Picasso no museu de Lisboa em 1997. Lapa interroga-se por que razão só quase 40 anos depois Pierre Le Guennec revelou as obras.
"Não dá para entender o que aconteceu, mas o caso já está a ser investigado e por isso há pormenores que ainda não podem ser adiantados", explicou o responsável pelo caso.
Entre as descobertas figuram retratos da sua primeira mulher Olga, bem como vários guaches e litografias. O tesouro de Picasso estava guardado na garagem da residência do casal, na Côte d"Azur, no Sul de França. Já foi confiscado e as obras estão agora guardadas no cofre do departamento francês contra o tráfico de bens culturais (OCBC). Apesar de se terem declarado inocentes, Pierre Le Guennec e a sua mulher vão ter agora que explicar em tribunal toda a história destas peças e porque só agora decidiram pedir os certificados de autenticidade.
O que vai acontecer às obras de arte e para onde vão são pormenores que ainda não se sabem. "Primeiro temos que resolver o caso. Neste momento, o mais importante é preservar e organizar todas as obras descobertas", concluiu o advogado da família Picasso.
Por Cláudia Carvalho
O advogado do legado Picasso diz que é um caso chocante. Quase três centenas de obras do pintor que revolucionou a arte do século XX foram inesperadamente reveladas em França
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Descobrir centenas de obras inéditas de um dos pintores mais importantes do século XX é o sonho de qualquer um. Mas o problema desta história é exactamente ser demasiado boa para ser verdadeira. Um electricista francês de 71 anos revelou que tem uma colecção de 271 obras desconhecidas do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973).
A colecção foi examinada por especialistas e as obras, que datam do início do século XX, entre 1900 e 1932, têm um valor estimado de 60 milhões de euros. Entre as descobertas figuram nove colagens cubistas no valor de 40 milhões de euros e uma aguarela do período azul.
"Isto foi uma surpresa para Claude Picasso e toda a gente", disse ao PÚBLICO Jean-Jacques Neuer, advogado da Administração Picasso.
Segundo o jornal francês Libération, que avançou ontem com a extraordinária notícia, as obras só foram agora descobertas porque o electricista, Pierre Le Guennec, entrou em contacto com Claude Picasso, filho do artista e responsável pelo legado do pintor, para obter os certificados de autenticidade.
Não é normal
Em Janeiro, o electricista terá enviado, juntamente com algumas fotografias das obras, uma carta ao herdeiro de Picasso a contar que tinha em sua posse vários trabalhos do pai e que gostaria de vê-los autenticados.
"É a primeira vez que isto acontece, estamos a falar de duas centenas de obras de Picasso que não estão catalogadas", disse Jean-Jacques Neuer, explicando que o caso foi entregue à polícia em Setembro, depois de Claude Picasso ter decidido contactar Pierre Le Guennec e a sua mulher para perceber a origem das obras.
"Não é normal estas obras não estarem catalogadas, não é normal uma pessoa ter tantos trabalhos de Picasso em sua posse e ninguém saber e por isso é preciso investigar", explicou o advogado que defende os interesses dos herdeiros do pintor.
Pierre Le Guennec, actualmente reformado, alega ter sido electricista de Picasso nos últimos três anos de vida do pintor, que morreu aos 91 anos. Le Guennec disse ao Libération que instalou sistemas de alarme nas diferentes casas de Picasso, incluindo na sua casa de Cannes, onde muitos trabalhos estariam armazenados. Como forma de agradecimento pelo trabalho, Picasso e a sua mulher terão dado as várias obras de arte de presente ao electricista em diferentes ocasiões.
Os herdeiros do pintor não acreditam na história do electricista e decidiram apresentar queixa por roubo contra o antigo operário. Para Claude Picasso, o seu pai nunca daria a ninguém uma quantidade tão grande de obras. "Nunca se viu, não faz sentido, é parte da sua vida", disse ao Libération o herdeiro, acrescentando que a justiça deve resolver este mistério. "É verdade que Picasso sempre foi bastante generoso. Mas ele datava e assinava sempre as suas doações, porque sabia que algumas pessoas acabariam por vendê-las", concluiu.
Para Pedro Lapa, antigo director do Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, toda esta história é muito estranha e deve mesmo ser investigada. "São obras que têm um valor histórico muito grande e por isso seria pouco provável que Picasso as cedesse a um electricista", explicou Pedro Lapa. "Esses trabalhos encontrados são de um período muito importante de Picasso, têm um valor enorme e por isso sempre foram muito cobiçados por museus e o próprio Picasso sabia disso, não as ia oferecer assim", acrescentou o antigo director do Museu do Chiado, que organizou uma exposição de Picasso no museu de Lisboa em 1997. Lapa interroga-se por que razão só quase 40 anos depois Pierre Le Guennec revelou as obras.
"Não dá para entender o que aconteceu, mas o caso já está a ser investigado e por isso há pormenores que ainda não podem ser adiantados", explicou o responsável pelo caso.
Entre as descobertas figuram retratos da sua primeira mulher Olga, bem como vários guaches e litografias. O tesouro de Picasso estava guardado na garagem da residência do casal, na Côte d"Azur, no Sul de França. Já foi confiscado e as obras estão agora guardadas no cofre do departamento francês contra o tráfico de bens culturais (OCBC). Apesar de se terem declarado inocentes, Pierre Le Guennec e a sua mulher vão ter agora que explicar em tribunal toda a história destas peças e porque só agora decidiram pedir os certificados de autenticidade.
O que vai acontecer às obras de arte e para onde vão são pormenores que ainda não se sabem. "Primeiro temos que resolver o caso. Neste momento, o mais importante é preservar e organizar todas as obras descobertas", concluiu o advogado da família Picasso.
- Público, 29.11.2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Eu nem precisei de ver para saber que ia ser assim
"Casa dos Degredos" - "bufas" e JúliaPinheiro - (Tiago Mesquita, Expresso)
Numa altura em que precisamos de cérebros para ajudarem o país a sair do buraco, a TVI juntou um conjunto de acéfalos que dificilmente conseguiriam sair juntos de um elevador. Mesmo com a porta aberta.
Júlia Pinheiro, ex-libris do "apresentadorismo" nacional, afirma que "a Casa é o retrato do país". Pensei que estivesse a falar da sua própria casa. A preocupação começou quando percebi que se estava a referir à casa onde a TVI juntou um conjunto de pessoas que conseguiriam transformar em dez minutos o campus da Universidade de Cambridge no Jardim zoológico de Lisboa. Com mais bichos, barulho, lixo e confusão.
Submeti-me a três ou quatro sessões do programa. E apesar de gostar de esquilos, não quis ficar com o QI de um. Decidi parar. Não queria que viessem dar comigo agarrado ao sofá a salivar pelo canto da boca em estado semicomatoso. Não seria bonito e sujava as almofadas novas.
Já me tinham avisado, e passo a citar, pedindo desculpa pela rudeza do meu amigo: "nunca tinha visto tanto atrasado mental junto no mesmo espaço físico, e todos na minha televisão". "Deve ser esse o segredo" - respondi-lhe. "No fundo é uma reunião de retardados anónimos e eles não fazem a menor ideia". Mas São Tomé fez-me esperar pelo especial da noite com a menina Poeiras e o mini Bettencourt dos cabelos alourados - ou "Dr. Granger" - como lhe chamou Pedro Santana Lopes num comício.
E sou obrigado a discordar quando Júla Pinheiro diz que aquele conjunto de indivíduos é o retrato do país. Em primeiro lugar, o país é habitado por pessoas que na sua maioria fala português (coisa que ali não vi). Conseguindo por isso manter uma conversa durante dois minutos sem que 95% do que lhes sai da boca seja mer&#. Duas esfregonas villeda a falarem entre si comparadas com esta rapaziada parecem Sir. W. Churchill e F. Roosevelt em amena cavaqueira num banco da New Bond Street.
Refeições inteiras de óculos escuros e boné na cabeça. Chimpanzés e galinhas com o cio. O aldeão de serviço. Choradeira como tivesse morrido um familiar porque acabou o tabaco ou porque o não sei quantos foi expulso ("como é que o gajo se chamava? ele cheirava tão mal...porra"). Uma "senhorita" não sabia o significado da palavra "celibato" (porque será?). Outra abordou um colega da casa e saiu-se com um ternurento... "vou-me peidar". Sintomático. Não optou pela tradicional bufa, utilizou o chavão hardcore do mundo da flatulência. Bonita educação. Qualidade televisiva.
Por estas e por outras Sra. Júlia, e por muito que queira, esta casa não é retrato de país algum. É um grupo bastante "rasca" escolhido a dedo num casting onde estou certo que Vexa participou, que garante a boçalidade, pobreza de espírito, ignorância, conflito, sexo explícito fruto de paixões assolapadas de cinco minutos e se possível verborreia, insultos, polémica e pontapés que caracterizam este género de programas imbecis.
Num ponto concordamos: infelizmente o país gosta de ver. É só espreitar as audiências. Nem por isso passa a ser o país. Eu também gosto de ver um bom jogo de râguebi e não faço "placagens" aos vizinhos quando me cruzo com eles no hall do prédio. Ou desato a gasear com ou sem pré-aviso quem viaja comigo no elevador. A estupidez também é entretenimento. E a TVI sabe disso.
(Tiago Mesquita)
Expresso
Numa altura em que precisamos de cérebros para ajudarem o país a sair do buraco, a TVI juntou um conjunto de acéfalos que dificilmente conseguiriam sair juntos de um elevador. Mesmo com a porta aberta.
Júlia Pinheiro, ex-libris do "apresentadorismo" nacional, afirma que "a Casa é o retrato do país". Pensei que estivesse a falar da sua própria casa. A preocupação começou quando percebi que se estava a referir à casa onde a TVI juntou um conjunto de pessoas que conseguiriam transformar em dez minutos o campus da Universidade de Cambridge no Jardim zoológico de Lisboa. Com mais bichos, barulho, lixo e confusão.
Submeti-me a três ou quatro sessões do programa. E apesar de gostar de esquilos, não quis ficar com o QI de um. Decidi parar. Não queria que viessem dar comigo agarrado ao sofá a salivar pelo canto da boca em estado semicomatoso. Não seria bonito e sujava as almofadas novas.
Já me tinham avisado, e passo a citar, pedindo desculpa pela rudeza do meu amigo: "nunca tinha visto tanto atrasado mental junto no mesmo espaço físico, e todos na minha televisão". "Deve ser esse o segredo" - respondi-lhe. "No fundo é uma reunião de retardados anónimos e eles não fazem a menor ideia". Mas São Tomé fez-me esperar pelo especial da noite com a menina Poeiras e o mini Bettencourt dos cabelos alourados - ou "Dr. Granger" - como lhe chamou Pedro Santana Lopes num comício.
E sou obrigado a discordar quando Júla Pinheiro diz que aquele conjunto de indivíduos é o retrato do país. Em primeiro lugar, o país é habitado por pessoas que na sua maioria fala português (coisa que ali não vi). Conseguindo por isso manter uma conversa durante dois minutos sem que 95% do que lhes sai da boca seja mer&#. Duas esfregonas villeda a falarem entre si comparadas com esta rapaziada parecem Sir. W. Churchill e F. Roosevelt em amena cavaqueira num banco da New Bond Street.
Refeições inteiras de óculos escuros e boné na cabeça. Chimpanzés e galinhas com o cio. O aldeão de serviço. Choradeira como tivesse morrido um familiar porque acabou o tabaco ou porque o não sei quantos foi expulso ("como é que o gajo se chamava? ele cheirava tão mal...porra"). Uma "senhorita" não sabia o significado da palavra "celibato" (porque será?). Outra abordou um colega da casa e saiu-se com um ternurento... "vou-me peidar". Sintomático. Não optou pela tradicional bufa, utilizou o chavão hardcore do mundo da flatulência. Bonita educação. Qualidade televisiva.
Por estas e por outras Sra. Júlia, e por muito que queira, esta casa não é retrato de país algum. É um grupo bastante "rasca" escolhido a dedo num casting onde estou certo que Vexa participou, que garante a boçalidade, pobreza de espírito, ignorância, conflito, sexo explícito fruto de paixões assolapadas de cinco minutos e se possível verborreia, insultos, polémica e pontapés que caracterizam este género de programas imbecis.
Num ponto concordamos: infelizmente o país gosta de ver. É só espreitar as audiências. Nem por isso passa a ser o país. Eu também gosto de ver um bom jogo de râguebi e não faço "placagens" aos vizinhos quando me cruzo com eles no hall do prédio. Ou desato a gasear com ou sem pré-aviso quem viaja comigo no elevador. A estupidez também é entretenimento. E a TVI sabe disso.
(Tiago Mesquita)
Expresso
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Conhecem o Paul Krugman, certo?
Para quem não conhece informo-vos que é um brilhante economista que ganhou o Prémio Nobel da Economia em 2008.
Para quem gosta de ler opiniões sérias e fundamentadas sobre a situação económica actual aconselho vivamente a leitura das suas crónicas semanais que são traduzidas e publicadas pelo jornal i.
Para quem gosta de ler opiniões sérias e fundamentadas sobre a situação económica actual aconselho vivamente a leitura das suas crónicas semanais que são traduzidas e publicadas pelo jornal i.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Sim, o facebook odeia-me
E não, não é da minha cabeça.
Desde que escrevi aqui que estava a pensar acabar com o meu facebook em sinal de protesto que tenho sido completamente boicotada.
Não consigo fazer login. Passado 5 minutos de ter a sessão iniciada diz que tenho que iniciar sessão outra vez. Claro que volto a não conseguir fazer login.
É só comigo ou o facebook anda atrás de mais alguém?
Desde que escrevi aqui que estava a pensar acabar com o meu facebook em sinal de protesto que tenho sido completamente boicotada.
Não consigo fazer login. Passado 5 minutos de ter a sessão iniciada diz que tenho que iniciar sessão outra vez. Claro que volto a não conseguir fazer login.
É só comigo ou o facebook anda atrás de mais alguém?
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é só de mim ou isto é estranho?,
tecnologia
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
NÃO ao Cavaco!
Não podia concordar mais com o que o sr. Daniel Oliveira escreveu no Expresso sobre o Cavaco, aqui fica:
Os cinco cavacos
Cavaco Silva apresenta hoje a sua recandidatura. Foi ministro quando eu tinha 11 anos. Pode sair da Presidência quando eu tiver 46. Ele é o maior símbolo de tantos anos perdidos. E aqui se fala das suas cinco encarnações.
Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.
O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.
O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.
O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.
O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.
Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.
E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.
Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
Os cinco cavacos
Cavaco Silva apresenta hoje a sua recandidatura. Foi ministro quando eu tinha 11 anos. Pode sair da Presidência quando eu tiver 46. Ele é o maior símbolo de tantos anos perdidos. E aqui se fala das suas cinco encarnações.
Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.
O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.
O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.
O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.
O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.
Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.
E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.
Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Juro que é verdade
Durante anos desejei que as pessoas não soubessem quem eu era, não soubessem o meu apelido, quanto menos melhor.
Agora cheguei a uma fase em que se passa exactamente o contrário. Quero que os professores e todas as pessoas dentro de determinado circuito saibam exactamente quem sou e que falem de mim. Muito. Bem.
Agora cheguei a uma fase em que se passa exactamente o contrário. Quero que os professores e todas as pessoas dentro de determinado circuito saibam exactamente quem sou e que falem de mim. Muito. Bem.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Ainda agora o mestrado começou e...
... já tenho uma apresentação oral sobre as relações transatlânticas entre a Europa e os EUA e um trabalho final sobre armamento nuclear.
Pois é, vida de estudante é dura mas também pode ser interessante.
Pois é, vida de estudante é dura mas também pode ser interessante.
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Eis o grande cancro do programa "Prós e Contras"
E a vencedora é: Fátima Campos Ferreira.
Esta senhora não é capaz de compreender qual o seu papel no programa e não acredito que algum dia venha a aprender.
Num programa de debates o papel dela é de moderadora, como tal, não deveria interromper os convidados (que são sempre pessoas mais qualificadas naquele assunto que ela) e ainda menos dar opiniões.
Já para não falar que as opiniões dela são tão péssimas que até mete medo ao susto e para além da fraca qualidade das opiniões e das argumentações, o mais grave é interromper os convidados para as dar.
Esta senhora não é capaz de compreender qual o seu papel no programa e não acredito que algum dia venha a aprender.
Num programa de debates o papel dela é de moderadora, como tal, não deveria interromper os convidados (que são sempre pessoas mais qualificadas naquele assunto que ela) e ainda menos dar opiniões.
Já para não falar que as opiniões dela são tão péssimas que até mete medo ao susto e para além da fraca qualidade das opiniões e das argumentações, o mais grave é interromper os convidados para as dar.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Porque é quando se ouve falar disto nos animais é o escândalo e se criam dezenas de grupos no facebook mas quando é em pessoas ninguém diz nada?
Centenas de guatemaltecos foram na década de 1940 vítimas de um "crime contra a humanidade"
02.10.2010 - 11:59 Por Jorge Heitor
O Presidente Álvaro Colom considerou hoje um “crime contra a humanidade” o facto de, entre 1946 e 1948, médicos norte-americanos terem infectado deliberadamente 700 guatemaltecos com sífilis e gonorreia, a fim de efectuarem experiências sobre a penicilina.
Downing/Reuters)
Numa entrevista à BBC, Colom disse que os seus compatriotas - presos, doentes mentais e soldados - foram “vítimas do abuso dos direitos” humanos, ao serem deliberadamente infectados com doenças venéreas que podem causar problemas cardíacos, cegueira e até mesmo a morte.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já apresentou desculpas por estas experiências, agora reveladas pela investigadora Susan Reverby, do Wellesley College, do Massachusetts, que descobriu relatos do sucedido nos arquivos do médico John C. Cutter, falecido em 2003.
Obama disse a Colom que as experiências efectuadas pelos cientistas norte-americanos durante a década de 1940 são contra os valores por que se rege a América do Norte. O Governo guatemalteco aceitou as desculpas, mas prometeu investigar o assunto mais a fundo.
Washington também vai investigar o facto de dinheiro dos contribuintes norte-americanos, colocado no orçamento dos Institutos Nacionais de Saúde, ter servido inclusive para que prostitutas infectadas com sífilis terem sido postas a dormir com presos, para que estes servissem de cobaias. E quando esse esquema não funcionava a bactéria era inoculada nos pénis, no rosto ou nos braços dos guatemaltecos. Depois, quando ficavam infectados, dava-se-lhes antibióticos, de modo a experimentar a eficácia dos mesmos.
Susan Reverbery afirma que o Governo guatemalteco do Presidente Juan José Arévalo, tido como um democrata e um nacionalista que esteve no poder de 1945 a 1951, dera autorização para que médicos norte-americanos do sistema federal de saúde procedessem às experiências que estão agora a ser alvo de grande condenação.
Um caso macabro
A Administração Obama ainda não se ofereceu para pagar qualquer indemnização por aquilo a que a imprensa da Guatemala já chama uma descoberta “macabra” e que teria mesmo afectado 1.500 pessoas, e não só as 700 de que ontem falavam as primeiras notícias.
Um porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que tais notícias são “chocantes e trágicas”, tendo Álvaro Colom ordenado que se procurem na Guatemala arquivos referentes ao período de 1946 a 1948 e dito à CNN que ele próprio se encarregará de participar pessoalmente no apuramento de toda a verdade.
Susan Reverbery descobriu este episódio quando estava a estudar documentos sobre o caso Tuskegee, no qual se observou atentamente o desenvolvimento da sífilis em 400 afro-americanos do Alabama, ao qual não foi permitido qualquer acesso a tratamentos. Decorreu essa experiência entre 1932 e 1972, ao longo de quatro longas décadas, num estudo clínico do U.S. Public Health Service.
John C. Cuttler, em cujo espólio foi agora desvendado o mistério guatemalteco, trabalhava no Gabinete Sanitário Panamericano, precursor da Organização Panamericana de Saúde. E decidiu proceder a estudos sobre o efeito que teriam medicamentos contra a sífilis, a gonorreia e o cancróide, doença sexualmente transmissível. Mas fê-lo “ao estilo de um filme de ficção científica, pois que os objectos da investigação eram seres humanos”, conforme destacada hoje o “Prensa Libre”, o jornal de maior circulação na Guatemala.
Soldados, prostitutas, pessoas com doenças mentais e reclusos funcionaram como autênticos “porquinhos da Índia”, inclusive com a colaboração de alguns ministérios guatemaltecos, tendo-se passado tudo em quartéis, bordéis, penintenciárias e até mesmo num hospital neuropsiquiátrico da Cidade da Guatemala.
02.10.2010 - 11:59 Por Jorge Heitor
O Presidente Álvaro Colom considerou hoje um “crime contra a humanidade” o facto de, entre 1946 e 1948, médicos norte-americanos terem infectado deliberadamente 700 guatemaltecos com sífilis e gonorreia, a fim de efectuarem experiências sobre a penicilina.
Downing/Reuters)
Numa entrevista à BBC, Colom disse que os seus compatriotas - presos, doentes mentais e soldados - foram “vítimas do abuso dos direitos” humanos, ao serem deliberadamente infectados com doenças venéreas que podem causar problemas cardíacos, cegueira e até mesmo a morte.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já apresentou desculpas por estas experiências, agora reveladas pela investigadora Susan Reverby, do Wellesley College, do Massachusetts, que descobriu relatos do sucedido nos arquivos do médico John C. Cutter, falecido em 2003.
Obama disse a Colom que as experiências efectuadas pelos cientistas norte-americanos durante a década de 1940 são contra os valores por que se rege a América do Norte. O Governo guatemalteco aceitou as desculpas, mas prometeu investigar o assunto mais a fundo.
Washington também vai investigar o facto de dinheiro dos contribuintes norte-americanos, colocado no orçamento dos Institutos Nacionais de Saúde, ter servido inclusive para que prostitutas infectadas com sífilis terem sido postas a dormir com presos, para que estes servissem de cobaias. E quando esse esquema não funcionava a bactéria era inoculada nos pénis, no rosto ou nos braços dos guatemaltecos. Depois, quando ficavam infectados, dava-se-lhes antibióticos, de modo a experimentar a eficácia dos mesmos.
Susan Reverbery afirma que o Governo guatemalteco do Presidente Juan José Arévalo, tido como um democrata e um nacionalista que esteve no poder de 1945 a 1951, dera autorização para que médicos norte-americanos do sistema federal de saúde procedessem às experiências que estão agora a ser alvo de grande condenação.
Um caso macabro
A Administração Obama ainda não se ofereceu para pagar qualquer indemnização por aquilo a que a imprensa da Guatemala já chama uma descoberta “macabra” e que teria mesmo afectado 1.500 pessoas, e não só as 700 de que ontem falavam as primeiras notícias.
Um porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que tais notícias são “chocantes e trágicas”, tendo Álvaro Colom ordenado que se procurem na Guatemala arquivos referentes ao período de 1946 a 1948 e dito à CNN que ele próprio se encarregará de participar pessoalmente no apuramento de toda a verdade.
Susan Reverbery descobriu este episódio quando estava a estudar documentos sobre o caso Tuskegee, no qual se observou atentamente o desenvolvimento da sífilis em 400 afro-americanos do Alabama, ao qual não foi permitido qualquer acesso a tratamentos. Decorreu essa experiência entre 1932 e 1972, ao longo de quatro longas décadas, num estudo clínico do U.S. Public Health Service.
John C. Cuttler, em cujo espólio foi agora desvendado o mistério guatemalteco, trabalhava no Gabinete Sanitário Panamericano, precursor da Organização Panamericana de Saúde. E decidiu proceder a estudos sobre o efeito que teriam medicamentos contra a sífilis, a gonorreia e o cancróide, doença sexualmente transmissível. Mas fê-lo “ao estilo de um filme de ficção científica, pois que os objectos da investigação eram seres humanos”, conforme destacada hoje o “Prensa Libre”, o jornal de maior circulação na Guatemala.
Soldados, prostitutas, pessoas com doenças mentais e reclusos funcionaram como autênticos “porquinhos da Índia”, inclusive com a colaboração de alguns ministérios guatemaltecos, tendo-se passado tudo em quartéis, bordéis, penintenciárias e até mesmo num hospital neuropsiquiátrico da Cidade da Guatemala.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Quem é que não gostava de viver aqui? hum...
O paraíso das cobras está sob ataque aéreo
Por Luís Francisco
A ilha de Guam, no Pacífico, é um paraíso tropical armado até aos dentes. Quase um terço deste território sob administração dos EUA está ocupado por bases militares. O resto fica para as pessoas. E para as cobras
"Desde que o navegador português Fernão de Magalhães, na sua viagem de circum-navegação do globo, em 1521, a pôs no mapa, a história da ilha de Guam, a maior e mais meridional do arquipélago das Marianas, oceano Pacífico, não tem sido isenta de episódios dramáticos. Durante a II Guerra Mundial foi tomada pelos japoneses. No final desse conflito, começou outra invasão, mais silenciosa: a das cobras castanhas arborícolas (Boiga irregularis). Agora, ao cabo de décadas de pesadelo ecológico, surgiu uma nova ideia para controlar a praga.
Guam não tinha qualquer espécie de serpente nativa à excepção de uma pequena cobra subterrânea, daquelas que normalmente confundimos com vermes. Gerações e gerações de habitantes deste paraíso tropical no Pacífico Oeste, actualmente uma região não incorporada dos EUA (o que quer dizer que a Constituição americana não se aplica ali e há um governo próprio), habituaram-se a viver num meio ambiente dominado, em termos de fauna, pelos lagartos e aves.
Até que, um dia, logo após a II Guerra, durante o processo de transferência das instalações militares americanas de outras ilhas da região para Guam, um passageiro clandestino arribou ao território. Tinha olhos grandes, corpo magro, gostava de subir às árvores e manifestava um apetite preferencial por aves e pequenos lagartos. Na ilha, claro, não havia qualquer predador natural para lhe fazer frente. Nos anos que se seguiram, os sustos foram o sinal mais sério de que algo estava a mudar na vida dos habitantes de Guam.
As cobras castanhas arborícolas desembarcaram e sentiram-se de imediato em casa. Naturais da Papua-Nova Guiné, ilhas Salomão e Austrália, estes répteis de hábitos nocturnos descobriram nas florestas do interior da ilha um verdadeiro lar. Melhor, até, do que o original: nas zonas de onde provêm, as cobras enfrentam alguma escassez de presas. Em Guam, pelo contrário, elas estavam por todo o lado. E nem sequer fugiam, porque não reconheciam o predador.
Os efeitos foram devastadores. Para começar, as cobras castanhas, que "em casa" alcançavam comprimentos entre um e dois metros, desataram a crescer em Guam, onde já foram registadas serpentes de três metros. Depois, reproduziram-se em grande ritmo e representam, neste momento, uma verdadeira praga: estima-se que existam mais de 49 cobras por hectare, uma das maiores concentrações de serpentes do planeta. Para se ter uma ideia, isto significa uma a cada 200m2, mais ou menos a superfície de um court de ténis...
Se ainda não está suficientemente arrepiado, faça as contas: Guam tem 54.130 hectares, um pouco mais do que a ilha do Pico, nos Açores. Ou seja... 2.652.370 cobras castanhas arborícolas. Mais cobra menos cobra.
(...)"
Por Luís Francisco
A ilha de Guam, no Pacífico, é um paraíso tropical armado até aos dentes. Quase um terço deste território sob administração dos EUA está ocupado por bases militares. O resto fica para as pessoas. E para as cobras
"Desde que o navegador português Fernão de Magalhães, na sua viagem de circum-navegação do globo, em 1521, a pôs no mapa, a história da ilha de Guam, a maior e mais meridional do arquipélago das Marianas, oceano Pacífico, não tem sido isenta de episódios dramáticos. Durante a II Guerra Mundial foi tomada pelos japoneses. No final desse conflito, começou outra invasão, mais silenciosa: a das cobras castanhas arborícolas (Boiga irregularis). Agora, ao cabo de décadas de pesadelo ecológico, surgiu uma nova ideia para controlar a praga.
Guam não tinha qualquer espécie de serpente nativa à excepção de uma pequena cobra subterrânea, daquelas que normalmente confundimos com vermes. Gerações e gerações de habitantes deste paraíso tropical no Pacífico Oeste, actualmente uma região não incorporada dos EUA (o que quer dizer que a Constituição americana não se aplica ali e há um governo próprio), habituaram-se a viver num meio ambiente dominado, em termos de fauna, pelos lagartos e aves.
Até que, um dia, logo após a II Guerra, durante o processo de transferência das instalações militares americanas de outras ilhas da região para Guam, um passageiro clandestino arribou ao território. Tinha olhos grandes, corpo magro, gostava de subir às árvores e manifestava um apetite preferencial por aves e pequenos lagartos. Na ilha, claro, não havia qualquer predador natural para lhe fazer frente. Nos anos que se seguiram, os sustos foram o sinal mais sério de que algo estava a mudar na vida dos habitantes de Guam.
As cobras castanhas arborícolas desembarcaram e sentiram-se de imediato em casa. Naturais da Papua-Nova Guiné, ilhas Salomão e Austrália, estes répteis de hábitos nocturnos descobriram nas florestas do interior da ilha um verdadeiro lar. Melhor, até, do que o original: nas zonas de onde provêm, as cobras enfrentam alguma escassez de presas. Em Guam, pelo contrário, elas estavam por todo o lado. E nem sequer fugiam, porque não reconheciam o predador.
Os efeitos foram devastadores. Para começar, as cobras castanhas, que "em casa" alcançavam comprimentos entre um e dois metros, desataram a crescer em Guam, onde já foram registadas serpentes de três metros. Depois, reproduziram-se em grande ritmo e representam, neste momento, uma verdadeira praga: estima-se que existam mais de 49 cobras por hectare, uma das maiores concentrações de serpentes do planeta. Para se ter uma ideia, isto significa uma a cada 200m2, mais ou menos a superfície de um court de ténis...
Se ainda não está suficientemente arrepiado, faça as contas: Guam tem 54.130 hectares, um pouco mais do que a ilha do Pico, nos Açores. Ou seja... 2.652.370 cobras castanhas arborícolas. Mais cobra menos cobra.
(...)"
sexta-feira, 30 de julho de 2010
António Feio (1954-2010)
António Feio morreu esta noite com cancro no pâncreas.
Excelente actor, encenador e locutor.
Na minha memória vai ficar para sempre o programa de rádio "Conversa da treta" que ouvia todos os dias antes de sair de casa para ir para a escola.
sábado, 17 de julho de 2010
Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
Aqui fica a notícia e a descoberta:
A ciência não pára de fazer descobertas. Investigadores ingleses anunciaram hoje que resolveram o clássico enigma 'quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha'. E a resposta é: a galinha!
A investigação é séria. Os cientistas analisaram os ovários das galinhas e concluíram que a formação dos ovos só é possível graças a uma proteína – chamada ovocledidin-17 (OC-17) – presente nos animais. Daí ser essencial ter aparecido primeiro a galinha para 'fabricar' o ovo.
'Há muito que se suspeitava que o ovo tivesse aparecido primeiro, mas agora temos provas científicas que demonstram que a galinha apareceu antes', afirmou ao jornal Metro Colin Freeman, da Universidade de Sheffield, que trabalhou na investigação com especialistas da Universidade de Warwick.
Ainda segundo o Metro, para esta descoberta foi necessário utilizar um super-computador, designado HECToR, que desvendou os passos de formação do ovo. Aí percebeu-se que a OC-17 é crucial para que se dê a cristalização da casca.
A ciência não pára de fazer descobertas. Investigadores ingleses anunciaram hoje que resolveram o clássico enigma 'quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha'. E a resposta é: a galinha!
A investigação é séria. Os cientistas analisaram os ovários das galinhas e concluíram que a formação dos ovos só é possível graças a uma proteína – chamada ovocledidin-17 (OC-17) – presente nos animais. Daí ser essencial ter aparecido primeiro a galinha para 'fabricar' o ovo.
'Há muito que se suspeitava que o ovo tivesse aparecido primeiro, mas agora temos provas científicas que demonstram que a galinha apareceu antes', afirmou ao jornal Metro Colin Freeman, da Universidade de Sheffield, que trabalhou na investigação com especialistas da Universidade de Warwick.
Ainda segundo o Metro, para esta descoberta foi necessário utilizar um super-computador, designado HECToR, que desvendou os passos de formação do ovo. Aí percebeu-se que a OC-17 é crucial para que se dê a cristalização da casca.
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contado ninguém acredita,
divagações
domingo, 11 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Ando tão aborrecida
Ando tão aborrecida com esta etapa final do curso que se prolonga até 7 de julho e que nunca mais acaba que até tenho vontade de ir às compras.
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é só de mim ou isto é estranho?,
faculdade
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Querido Verão,
bem sei que só hoje é começas oficialmente e quero dar-te as boas vindas.
Assim como te dou as boas vindas relembro-te que o teu dever é trazer sol, calor e vontade de passear, resumindo, bom tempo.
Espero que estejas ciente do teu papel.
Beijinhos e boa estadia,
I
Assim como te dou as boas vindas relembro-te que o teu dever é trazer sol, calor e vontade de passear, resumindo, bom tempo.
Espero que estejas ciente do teu papel.
Beijinhos e boa estadia,
I
sábado, 19 de junho de 2010
Morangos com açucar
Já não vou falar da história que é ridícula, nem das reviravoltas mais previsíveis que aquilo dá, nem mesmo da fraca qualidade de 90% do elenco mas expliquem-me lá porque é que estas almas acham que para serem bons têm que falar muito alto ou mesmo gritar de cada vez que abrem a boca?!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
José Saramago (1922-2010)
José Saramago é um dos mais conhecidos escritores portugueses no mundo, tendo ganho o prémio Nobel da literatura em 1998.Apesar de não ser fã deste escritor é com grande pesar que sei que morreu hoje, aos 87 anos.
Fica na minha memória a amizade do meu pai com José Saramago (e as histórias que ele me conta das suas "aventuras") e a história de amor de Belimunda e Baltazar.
domingo, 13 de junho de 2010
Sabiam que...?
Sabiam que o mamífero mais gay do mundo animal é o morcego da fruta?
Sabiam que as fêmeas pinguins já foram observadas a prostituir-se? (Trocam sexo por pedras)
Sabiam que as fêmeas pinguins já foram observadas a prostituir-se? (Trocam sexo por pedras)
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